Assessoria de Comunicação Social
Em 02/12/2004 Redator: JBomfim Reg. 1023 DRT-Ba
Debate acirrado sobre
mídia e Ministério Público
Para o jornalista, apresentador do Programa Roda Viva da TV Cultura, Paulo Markun, “o casamento entre o Ministério Público e a imprensa deve ser rompido o quanto antes”. Sua opinião foi a essência provocadora do painel “Eficácia do Sistema Judicial Brasileiro: a Contribuição da Imprensa e da Sociedade Civil Organizada”, realizado ontem, 2 de dezembro, pela manhã, na Semana do Ministério Público, no Fiesta Bahia Hotel.
Afirmando que não está otimista quanto a uma melhora nessa relação MP/mídia, Paulo Markun afirmou genericamente que jornalistas são ávidos em denunciar, falar de escândalos e coisas negativas, e o MP daria o arsenal para a mídia, com declarações irresponsáveis de procuradores e promotores de Justiça. Ele criticou também a renovação do MP: “Temo ao não ver mais cabelos brancos”, disse, metaforizando a idéia de que a instituição precisa de pessoas com mais maturidade.
A reação veio com a advogada, mestre em Direito pela PUC de São Paulo e integrante da ONG TVER, Ana Emília Oliveira de Almeida Prado, e com o juiz federal Flávio Dino de Castro e Costa. Ana Emília disse que a presença da juventude e de muito mais mulheres no Ministério Público tem significado um ganho na atuação da instituição no combate ao crime e em defesa da cidadania. Ela defendeu o apoio à manutenção do Fórum Contra a Baixaria na Televisão e elogiou o MP baiano, considerando-o um dos mais atuantes do país.
O juiz federal Flávio Dino disse que a luta do MP independe da cor dos cabelos, porque a alma da instituição é nova e isto é que tem dado força às lutas contra o crime organizado, os tráficos de drogas e de armas, o combate ao trabalho infantil, a defesa da cidadania e dos direitos dos oprimidos. Ele defendeu a criação de um Conselho Federal de Jornalismo, “assim como existe em outras categorias”, e ressaltou que os jornalistas precisam entender que o tempo midiático é diferente do tempo necessário para o Judiciário, para o MP, investigar os acontecimentos. “Creio que a mídia e o MP devem continuar o diálogo, evidentemente buscando a coerência e dando importância à alteridade, ao olhar do outro”, finalizou.