Assessoria de Comunicação Social
12/11/04 Redator –Edinei Dantas (Estagiário de Jornalismo)
Albinos se reúnem na sede
do MP pedindo respeito
O preconceito, o desrespeito e a falta de informação. Estes são alguns dos principais problemas que afetam o cotidiano dos portadores de albinismo e que foram abordados na reunião pública realizada, na manhã desta sexta-feira, na sede do Ministério Público baiano. Participaram do encontro cerca de 30 albinos, parentes, amigos, médicos das áreas de dermatologia e oftalmologia, e os promotores de Justiça da Cidadania Márcia Teixeira, Cristina Seixas Graça, Itana Viana e César Correia.
De acordo com a promotora de Justiça Márcia Teixeira, o MP teve papel fundamental no incentivo à criação da Associação dos Portadores de Albinismo da Bahia - Apalba, hoje presidida pela portadora de albinismo Zenaide Peixoto Nascimento. O grupo começou com 15 e hoje está com 102 associados. Além disso, o MP instaurou um procedimento administrativo para listar as necessidades dos albinos, do ponto de vista das políticas públicas nas áreas de saúde, emprego e transportes, dentre outros.
Zenaide explica que o objetivo desta primeira reunião é identificar os portadores de albinismo em Salvador, já que não existe um censo sobre estes números. A partir daí, se fará um diagnóstico das necessidades dos albinos, que será discutido na Audiência Pública a ser realizada em 15 de dezembro do corrente ano, para a qual serão convidados os representantes dos poderes Federal, Estadual e Municipal, das áreas de saúde, ação social, educação e Previdência Social.
A presidente da Apalba critica a falta de políticas públicas de incentivo voltadas aos albinos. Emocionada, ela agradeceu, pois finalmente um órgão (o MP) resolveu tomar para si esta luta. Ela revelou que não estuda, pois tem dificuldade de enxergar o quadro branco e as escolas não oferecem condições para o albino estudar. Também falou da falta de cotas para o emprego. “Dizem que as cotas para deficientes incluem os albinos, mas nunca vi um albino trabalhando por causa delas”. Criticou também a dificuldade para marcação de consultas de crioterapia, tratamento a base de gelo, tendo que enfrentar filas quilométricas, inclusive, para o atendimento oftalmológico.
Para o médico oncologista Fernando Araújo, há uma necessidade primordial de incentivar a educação doméstica, orientando os albinos sobre as formas de prevenção contra doenças decorrentes da exposição aos raios solares, já que a falta de pigmentação os deixam bastante fragilizados. Deve-se observar o material das roupas, o uso de óculos especiais e do protetor solar. O oftalmologista Edson Silveira complementou dizendo que todo albino possui astigmatismo, é míope e sofre com o desrespeito por parte dos peritos do INSS, que só acatam laudos que atestam cegueira, deixando os albinos sem o benefício.